Choveu sem nenhum aviso por apenas meia hora e não foi preciso mais do que isso para que os bueiros devolvessem todo o lixo a seus antigos donos, informou o repórter aéreo na rádio. Parada às 18 horas na tempestuosa São Clemente, desejei mais do que nunca os sapatinhos de rubi da Dorothy, a do filme. É dela a culpa por eu acreditar até hoje que "não há lugar como o nosso lar". No sexto livro escrito por Braun, em contrapartida, ela vira Princesa em Oz e nunca mais pensa em voltar para casa. Kansas foi pelos ares e o Rio de Janeiro vai por água abaixo. "Eu devia ter lido o maldito livro primeiro", penso mudando a estação.
Quarenta minutos mais tarde e cem metros depois, um engavetamento de três carros complicava ainda mais o tráfego. Pelo que consegui captar da movimentação o primeiro veículo teve a traseira albarroada pelos outros dois. Aparentemente o desafortunado dono, que freiara corretamente no sinal vermelho, era o que mais se debatia e berrava a maior quantidade de impropérios por segundo, a voz gutural suplantando o buzinaço geral. O que mais chamou minha atenção, no entanto, foi a camiseta dele com estampa de uma pombinha muito branquinha carregando um singelo ramo de oliveira. Logo abaixo dela, em letras garrafais, estava escrito PAZ.
Água na boca pelo pudim da Clementina, lá na segunda prateleira. Joséphine esperando à porta, porque sabe que já vou chegar. Faço o sinal da cruz duas vezes, em frente ao São João Batista, coisa que aprendi com minha avó portuguesa, que já morreu e não está enterrada ali; uma vez que está morta, isso não faz diferença pra ela. "Não tenho medo de morrer, é não saber viver o meu medo", ela sempre dizia. Mudo novamente a estação, na hora do noticiário, já tive minha cota suficiente de gripe suína e Dilma Roussef. Tudo que preciso é conectar meu iPod e ouvir Raul me dizer que "eu vou ficar, com certeza, maluca beleza". Voltou a chover na cidade maravilhosa e ainda estou na metade do meu caminho.
Texto: Patrícia Coelho
Imagem: Rodney Smith
*"Sujeito a Chuvas e Trovoadas" é título de uma música de Itamar Assumpção













Sodade Matadeira!!
Onde esta você?
Fernando Faro.
Sôdade matadeira!!!!!
Tenho viajado um tanto, mas no fim de semana tento esbarrar com vc por aí ;)
Beijos.
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Prenda a respiração... Aí vem a próxima onda.