
Não preciso fazer um teste de revista para saber se determinado sujeito (namorado, amigo, patrão) combina comigo. Eu sei disso é pelo cheiro. Um amigo disse-me que isso acontece porque eu não enxergo bem, então os demais sentidos acabam por compensar esse outro. Já a minha vizinha de porta costuma dizer que "um tatu cheira o outro", um dito popular lá pras bandas de onde ela veio. Talvez seja um pouco das duas coisas, mas não fico racionalizando muito, só sei que é certeiro. Tenho que gostar do cheiro primeiro, porque gosto de estar bem perto.
A coisa da proximidade tem tudo a ver com outro sentido: o tato. Quando toco a pele em um abraço, quando resvalo com a mão ou voluntariamente a estendo para alguém, posso sentir se combinamos ou não, sem precisar de múltiplas escolhas. Conheço as características da maioria das texturas - a ondulação dos humores, uma lisa flor de pessoa, o rosto rugoso da experiência, a maciez do adulador e a aspereza do calejado - porque também fui feita desses materiais, e de tantos mais. Tateando eu descubro se temos (ou não) a ver e o que não vemos é o que de mais revelador existe sobre o sucesso ou o fracasso de uma relação.
Não é preciso enxergar bem para saber quando alguma coisa vai mal. Dez perguntas genéricas, com respostas mais ainda, não podem ser tão eloquentes quanto as evidências que insistimos em não ver. Mexi-me desconfortável na cadeira, tentando achar uma posição, no mesmo momento que a moça da recepção olhou para mim com aquele sorriso de todos os dentes. "A entrevista vai começar agora, você já pode entrar", ela disse, ainda sorrindo, apontando o iluminado corredor à minha frente. Ela deve ter feito esse teste, eu mentalmente aposto, sorrindo para ela de volta.
Larguei a brochura na mesinha ao lado, sem ter passado da capa. Deviam criar um novo formato de revista para a mulher reinventada, eu reflito, fechando atrás de mim a porta.
Texto: Patrícia Coelho
Imagem: Rodney Smith












eu preciso porque ainda sou uma idiota
Eu discordo veementemente de que você é uma idiota :) E nem afirmo isso no meu texto, que mulheres que fazem testes são idiotas, não sou ninguém para julgar isso.
A única coisa em que acredito é que – para mim – os testes não funcionam, eu prefiro a vivência das relações e “deixar que os fatos sejam fatos naturalmente” ;)
Beijo grande!
Puxa, que blog bacana. Gostei do texto e também concordo com você sobre fazer esses tipos de textes. A verdade é que sempre busco em Deus o melhor para mim e essa minha confiança deixa as coisas acontecerem naturalmente e quando chegar a hora, creio que vou saber se é bom ou não.Como você mesma citou, a vivência das relações é o melhor jeito de descobrir o "bom e o mau".
Abraços e sucesso!
Olá, Karlla! Gostei muito do teu "Vitrine Cult" :)
Fico muito feliz que tenha gostado daqui, seja sempre muito bem-vinda!
É bem por aí mesmo, as coisas se revelam por si só, melhor não criar expectativas, apenas deixar que tudo flua.
Beijos e muito sucesso para você também. Até +.
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Prenda a respiração... Aí vem a próxima onda.